Talvez junto com Master’s Sun, o drama The Heirs foi um dos mais badalados dramas coreanos do ano de 2013, muito mais por causa do seu elenco que é reconhecidamente formado por atores de muito talento (a controvérsias rs) e pela sua sinopse que prometia sair um pouco do “formato dorama romântico bonitinho”, porém não bem isso que aconteceu.

História

A história de The Heirs é interessante, herdeiros de empresas poderosas na Coreia do Sul se veem no mundo dos negócios, com casamentos armados, amor trocado por ações entre outras coisas. E no meio disso tudo temos aquele clichê onde um dos riquinhos se apaixona pela filha da empregada.

Claro que esse é um breve resumo da história, e se você olhar por cima não é uma história tão original assim, mas poderia ser muito melhor desenvolvida. A impressão que passa é que teríamos um complexo e denso conflito de interesses entre os matriarcas das empresas mesmo que tenham que usar seus filhos pra isso e de quebra ainda teríamos o velho embate entre o cara rico que se apaixona pela menina pobre. E até temos isso no dorama, mas de uma forma muito simplista e repetitiva.

Casal principal e o “triangulo amoroso”

É claro que um triangulo amoroso não poderia falta né? O casal principal é formado por Kim Tan (Lee Min Ho) herdeiro de um dos mais poderosos grupos empresariais da Coreia do Sul, o grupo Jeguk. Porém ele é filho da amante de seu pai e isso era mantido em segredo dentro da família, afinal isso poderia atrapalhar os negócios do grupo. E por ser um filho “ilegítimo” ele era desprezado por seu irmão mais velho, Kim Won (Choi Jin Hyuk), filho da primeira esposa e atual presidente do grupo Jesuk.

Do outro lado temos Cha Eun Sang (Park Shin Hye) filha da emprega que trabalha justamente na casa dos pais de Tan, que após alguns encontros e desencontro se conhecem nos EUA e se apaixonam a primeira vista.

Legal né? Só que não, daqui pra frente vira apenas mais um história de um romance “proibido” entre pessoas de classes diferentes, com o pai do menino rico interferindo, o que não seria um problema se tudo não fosse absurdamente repetitivo e sem criatividade. Pra mim o casal já estava resolvido nos três primeiros episódios.

Mas se o casal não me convenceu imagina só o triangulo amoroso, sério, a relação entre Kin Tan e seu “inimigo” Choi Young Do (Kim Wo Bin) é mais interessante que a do casal.

A relação entre Kim Tan e Choi Young Do

Mas se o casal principal e o triangulo amoroso que não existe (pois só é um triangulo se uma pessoa está divida entre duas pessoas) não sustenta o drama, é exatamente as histórias paralelas (que são muitas) que levam o drama nas contas. E a relação entre esses dois “inimigos” é uma das mais interessantes.

Choi Young Do é o típico rebelde sem causa, gosta de praticar bullying entre outras coisas, mas logo ficamos sabendo o porque dele fazer o que faz e percebemos que ele é um dos personagens mais complexos e interessantes do drama. Choi Young Do é herdeiro de uma grande redes de hotéis, porém ele é criado a rédeas curtas somente pelo seu pai, pois ele foi “abandonado” pela mãe e é aqui que as coisas começam a ficar interessantes. No passado Kim Tan e Choi Young Do eram melhores amigos, mas por alguns desencontros que envolvem a mãe de Choi Young Do eles acabaram se tornando inimigos.

Porém ao se apaixonar também à primeira vista por Eun Sang a rivalidade entre os dois se torna cada vez maior, embora Eun Sang tenha deixado claro desde o início que nada entre eles iria acontecer. Então aqui a tentativa de tentar criar um triângulo amoroso falha vergonhosamente.

Mas é na relação entre os ex amigos que torna o “triangulo” gostoso de assistir, é curioso ver como Choi Young Do assume a persona de bad boy sendo que com os olhos ele demonstra a sua solidão e o fato de ainda gostar e querer a amizade de Kim Tan.  Mas como tudo no dorama, faltou mais ousadia e uma aproximação maior entre os dois, tudo ficou muito em cima do muro.

Demais histórias paralelas

Embora o texto tenha se focado na história principal do drama (mesmo porque foi nisso que o drama se focou), são nas histórias paralelas que The Heirs realmente se destaca, pena que os roteiristas preferiram seguir a formula “dramística” a risca e deixou um pouco de lado o que o drama tinha de melhor pra oferecer.

Por exemplo, quase todos os casais do drama sejam eles entre homem e mulher, amigos, irmão, etc são melhores que o casal principal. Seja o casal formado por BoNa (Krystal do grupo F(x)) e ChanYoung que formam um casal até mais comum, mas não menos interessante. Vale ressaltar que Krystal deve investir nesse lado de atuar, ela é realmente muito boa, rouba a cena quando aparece. Ou até mesmo os casais mais velhos (que dão um aula de como beijar).

E muitas outras coisas que se eu fosse falar tudo aqui iria fazer o texto ficar maior do que eu pretendo, como a própria relação entre Kim Tam e seu irmão Kim Won, que vive praticamente a mesma história do irmão, mas em vez de escolher o amor preferiu escolher o grupo Jeguk.

Mas vale a pena?

Embora repetitivo e pouco criativo em seu núcleo principal, The Heirs se destaca mesmo em suas histórias paralelas, mas teria sido muito melhor se tivessem invertido o foco da história.